quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Tormentos

De todos os fantasmas que atormentam meu passado um em especial vaga incessantemente em meus pensamentos, ronda meus pesadelos mais secretos, povoa meus sonhos com sua agonia, seja noite ou dia.
É difícil livrar-se das correntes que nos prendem. É difícil libertar-se quando o que mais se quer é prender-se e perder-se por completo.
E perdida me encontro num passado tão remoto que até me desconheço. Nem lembro dessa garota que caminha perdida a procurar por ti, infinitamente.
Nem lembro a última vez que ela voltou para casa... somente uma parte minha ficou aqui, desde que decidiste seguir por outros caminhos, eu ainda te persigo, mas é em vão.
Nunca chegaste perto o bastante para poder entrar. Mesmo assim, ainda mantenho a casa aberta e o coração livre, a tua espera, mesmo sabendo que não virás. Que só terei de companhia um vulto teu que vaga em minha mente, que insisto em aprisionar, talvez para sempre. Mas enfraqueceste. Tua imagem não é mais a mesma. Não te reconheço, mas sei que és tu quando se aproxima, minha alma te reconhece, só se sente em paz quando encontra a tua. 
Mas temo não ser o suficiente. Temo acordar, certo dia, e nunca mais dormir, nunca mais ver teu rosto perambulando em minhas memórias. Temo esquecer-te, e temo que já tenhas me esquecido, pois cada vez menos te sinto aqui, presente.
Para onde foste sem mim?! Como podes não ter regressado?!
Como podes não levar-me contigo?! Em teu coração, pelo menos.
Como podes abandonar-me assim?! Sem uma palavra de adeus ou beijo de despedida!
Era para estares lá como antes, a torturar-me; a  fazer-me companhia enquanto durmo. Era para estares embalando meus sonhos... Mas partiste. Foste  para algum lugar onde não posso seguir-te, onde não te alcanço, onde não me pertences, e tenho medo... 
Medo que eu nunca mais volte a sorrir. Medo que eu nunca mais volte a sonhar acordada. Tenho medo que a outra parte minha que te procura nunca mais volte para casa... 
Como posso me sentir inteira se levaste contigo o melhor de mim?!
Temo que este seja o meu fim! 


(...)

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