quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Mal de Amor

O mal do teu amor
é alegria
e dor
É inverno
e faz frio
no que devia ser calor
O mal do teu amor
que mal me quer
Me despe,
pétala a pétala,
pedaços meus
de mulher
E joga fora
no vão
estreito
do peito
Coração,
amor
desfeito
jogado ao chão!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Fim de Tarde

Enfim,
o fim do dia
se faz cedo
em mais um fim de tarde
e dentro de cada parte
pedaços pequenos de lembranças
são deixados para traz
perdidos,
envoltos em arte
um beijo esquecido no canto da boca
tem o sabor de saudade
deixado para traz,
guardado
a cada fim de tarde...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sinais

Um arrepio na pele
Um sopro
Um sussurro
no ouvido
Um toque
sutil
na nuca
A tua mão
me puxa,
me traz de volta
e me perco
me mim.
Em lembranças
que nem sei
se são reais.
Tão mortais!
Que ferem
que cortam
o corpo,
que mancham
a alma.
E minha calma
se vai
e só regressa
quando escuto tua voz
a me chamar...
Um sussurro
na noite,
um toque
no escuro
Em outro mundo,
por segundos
de eternidade
E então, acordo...
E não estás lá
apenas sinais
deixados no passado
perdidos em outro tempo
Em algum lugar
que já não volta mais,
sinais...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Metades

Eu que já fui todo
que já fui parte
Que fui menina
moleca,
mulher,
de pecadora à honesta...
Fui inteira
em teus braços,
dividida em duas metades
tu e eu
duas partes
de um mesmo inteiro:
perfeito,
total,
completo!
Fui bem e mal,
começo e final
de um,
de dois
iguais.
Hoje não sou mais...
Nem um nem dois
Nem parte nem todo
Sou pequena,
desfeita.
Sou partes 
partidas,
feridas,
desiguais...
Não de dois
mas de mais.
Sozinha,
perdida,
à parte!
Eu que era tudo
completa,
inteira!
Que tinha o mundo,
hoje sou nada!
Sou parte,
pequena
de um inteiro
sou só metade.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Desordem

Eu ainda não encontrei as palavras certas 
e não foi por falta de tempo, 
mas por não conseguir organizar, 
por completo, meus sentimentos...

Nudez

Quero fazer de teu corpo 
a folha em branco para rabiscar meus versos 
sem dizer palavra alguma
e deixando em ti todo o meu amor impresso.

Apenas Verso

Há dias em que não preciso saber quem sou
ou me preocupar com aonde vou.
Dias em que não tenho corpo nem alma.
Dias em que tudo se acalma e me transformo em verso.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Sem Direção

Poeira
soprada
ao vento.
Noites
vagando
ao relento.
Um sonho
desfeito
no tempo.
O passado
em frente
em minha 
direção.
Pegadas
deixadas
no tempo.
Recordações
de um breve
momento.
Uma voz
trazida
no vento.
O presente
indo e vindo
em colisão.
Pensamentos
voando
com o vento.
Pegadas
marcando
os momentos.
O tempo
andando
na contramão.
Futuro
distante,
ausente,
em nenhuma direção.

Aconteceu no Outono (Parte I)

Era outubro de um ano qualquer quando se viram pela primeira vez. Ele era apenas um garoto bobo tentando chamar a sua atenção e ela o achou arrogante quando tentou convencê-la de que ele era a sua melhor escolha naquela noite.
Será que o amor pode acontecer assim ao acaso, sem nos darmos conta?!
Talvez tenha sido culpa das estrelas daquela noite que não brilharam seu total esplendor ou talvez tenha sido culpa do céu nublado que ofuscou o brilho do que tinha tudo para ser uma linda e feliz história de amor.
Será mesmo que não foi?!
Talvez alguns "para sempre" não sejam eternos; Talvez alguns não durem tanto quanto outros, mas nem por isso passam a ser menores.
Algumas pessoas se tornam eternas mesmo quando não fazem mais parte de nossas vidas, permanecem ali, guardadas bem fundo, escondidas dentro da gente, para sempre.
Aquelas bem poucas que nos tocaram além do corpo, do superficial da pele, nos tocaram a alma.
Naquela noite comum de outubro era impossível prever que isso aconteceria. Que o amor começará ali, mesmo sem o "à primeira vista".Algo acontecera nas noites seguintes de outono.Algo em meio aos sorrisos que ele despertava nela; Algo nascera do seu modo de falar com ela; Do modo como a abraçava, como a tomava nos braços. Não havia lugar mais seguro para ela que o aconchego de seu colo; Não havia calor mais intenso que o fogo de seus beijos, que o toque de suas mãos percorrendo a pele dela.
Algo já havia nascido e tomava forma, ganhava espaço. Algo que ela chamava de amor, mas para o mundo ela dizia que era apenas algo que aconteceu no outono.

(...)

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Aconteceu no Outono (Parte Final)


As últimas folhas secas caiam das árvores no quintal e o vento balançava a cortina da janela da sala. Um cheiro de outono invadia a casa e junto com ele o frio seco do vento que lhe tocava a pele. Parecendo a mão fria da morte, que ela tanto desejava naquele instante, cortando-lhe a garganta. Garganta engasgada pelas palavras que não conseguira dizer...
Os olhos ainda estavam úmidos das lágrimas da noite anterior. A garrafa de vinho vazia ainda estava no chão do quarto e uma gota seca manchava o tapete ao lado da taça jogada junto aos cacos de vidro os pedaços partidos de seus sonhos caídos ao chão junto dela. Não desejava levantar-se. Nada mais restava para si. Nada mais havia para fazer ali a não ser esperar... Esperar que o pranto secasse, que a dor cessasse e que o amor renascesse junto com a primavera.

(...) 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Soneto do Amor Ausente

Era noite, uma fria madrugada
Quando o amor se fez presente,
Deixou a lua no céu calada
E parou o vento de repente.

Fez do dia sua morada
E da noite um presente.
A cada hora, iluminada!
Se escurecia era de contente.

Mas a lua sua namorada
Não podia ser dele somente.
E mesmo apaixonada,
Certa noite se fez ausente.

O amor não a entendeu...
E da pobre lua se esqueceu.